sábado, 30 de março de 2013

Como livros


Foto por Larissa Dare
Sabe aquele momento que você vira uma página?
Então.
Viremos a página.

Eu gosto de pensar nas nossas vidas como livros. O ensino fundamental pode ser alguns capítulos. Um namoro se prolongar por dez capítulos, virando romance besta, casamento, monotonia e morte. Existe gente que só aparece numa frase. Existe gente que aparece do começo ao fim. Existe gente que você tem raiva de que ele exista. Existe gente que você sente a falta quando some por umas páginas. Eu gosto da sensação de finalizar capítulos. De deixar pra trás. De parar de repetir em assuntos incômodos. Já foi.

Vire a página.
Às vezes não vale a pena insistir naquela história. Às vezes vale a pena você superar. Não digo pra você perdoar, porque sou dessas pessoas ruins que não acredita que as pessoas devem ser perdoadas sem, no mínimo, reconhecerem o que fizeram e pedirem desculpas. Não digo nem mesmo para você esquecer essas essas pessoas que lhe fizeram mal. Apenas digo que vale a pena seguir em frente. Guardar nome, sobrenome e endereço de quem fez mal e seguir em frente. Guardar o rosto de quem te fez bem e seguir em frente. Não se deixar prender por coisas que lhe fazem mal. Às vezes vale mais a pena transformar seu carma em força.

Vire a página.
Se a história acabou mal, dê um final decente. Se tu quer perdoar e não tem coragem, perdoa. Se tu quer seguir em frente e tá vacilando, vai em frente. Não tem nada pior que ficar pra trás, que hesitar, que ficar amargurando coisas que te fazem mal. Guarde nome e sobrenome de quem te faz mal, mas não deixa isso te fazer mal. Não se preocupa em perdoar as pessoas só pra ser um ser humano melhor. Não se ache ruim em não querer relevar as merdas que fazem. Não tem obrigação de fazer isso. Se preocupa só em ficar bem. Não vire uma pessoa cretina porque outras pessoas são, não se deixe derrubar por outras pessoas e você fica bem.

Apenas vire a página.
Acredite: não haverá sensação mais libertadora quando você perceber que não existe mais a pedra no sapato. Que não existe mais incômodo. Que não existe mais aquele assunto pendente, pairando no ar como um elefante branco no meio da sala sobre o qual ninguém quer falar a respeito.

É a sensação de ter superado algo.
Apenas tente. Não precisa nem mesmo perdoar, apesar de que é legal (quando as partes envolvidas estão dispostas a se perdoarem de verdade). Não precisa virar Jesus Cristo e dar a outra face. É seguir em frente, olhar pra trás e não se machucar mais com coisas que lhe eram pregos em seus punhos. Apenas isso.

Experimente um dia desses. Prometo que nem dói.

Foto por Larissa Dare

terça-feira, 26 de março de 2013

Semana 4 - Minhas citações preferidas são:

OH DESCULPA era para postar ontem, mas eu tive ensaio no horário do almoço e também de noite, de modo que eu não tinha como ficar muito tempo para o, talvez, o post referente ao meme mais trabalhoso que já fiz! Mas terça-feira é uma extensão da segunda-feira, então está tudo bem, certo? Eu realmente precisava voltar a mexer no Photoshop e ando procurando desculpas aleatórias para usá-lo hahahaha. Achei esse meme particularmente difícil, porque eu não sou exatamente a pessoa que elabora uma ordem de favoritismo nas frases que lê por aí, apesar de não esquecer de nenhuma frase. Eu nunca esqueci, por exemplo, nenhuma das frases de Harry Potter (para mim, a melhor é "Só porque algo está somente na sua cabeça não significa que não seja real" que Dumbledore diz ao Harry, no final de Relíquias da Morte. Mas eu acabei nem colocando essa na relação. Aliás, não coloquei nenhuma de Harry Potter). E eu nunca esqueci da frase que está em algum livro da série Brumas de Avalon que é um provérbio comum, eu acho, que diz que se três sabem de um segredo, é melhor que dois estejam debaixo da terra.

Enfim, eu fui pensando aleatoriamente e cheguei à cinco quotes de artistas, livros e animes. Vamos lá! <3


Christina disse isso para a revista Billboard, em 2010, na época que estava promovendo Bionic. Era uma resposta aos haters: qualquer pessoa que sabe um pouquinho do universo do pop americano conhece a quantidade assustadora de pessoas que se empenham cuidadosamente em criticar qualquer coisa referente à Christina. Toda a mídia americana está simplesmente esperando o próximo erro, o próximo deslize e, bem, em 2010 ela foi um prato cheio para qualquer pessoa com vontade de chutar uma ou duas artistas com problemas. O negócio é que Christina é muito mais forte do que essas pessoas que perdem tanto do seu tempo odiando, desprezando e ofendendo uma mulher que não fez nada.

Eu acho essa frase bem sábia até, se parar para pensar. Obviamente nós só nos preocupamos com coisas que consideramos importantes e relevantes. Nós não gastamos um segundo da nossa atenção em coisas que consideramos insignificantes. Então se você é uma pessoa que fica se incomodando apenas com a existência de outras pessoas e resolve desperdiçar seu tempo destilando ódio, o que eu deveria pensar de você?

Para a fanbase de Christina, essa frase tem um efeito bem especial que eu acho um pouco difícil os outros entenderem. Porque é a resposta mais apropriada que tivemos para toda a mídia feita de ódio, feita por aves de rapina, esperando por uma Britney Spears feeling 2007 versão 2.0. Nós conhecemos como a mídia (tablóides, sites de fofoca, programas de entretenimento, etc) é especialmente cruel com as artistas que apreciamos, e sobre como elas precisam se esquivar constantemente de toda a pressão em volta, pelo próximo sucesso ou fracasso. Por mais que Christina tenha diversos problemas, eu, como uma fã de Christina, aprecio muito a força dela diante dessas coisas.


Eu adoro Rowling. Não apenas porque ela escreveu Harry Potter. Eu gosto dela por ela. Gosto das entrevistas que já li dela, das frases que ela dez, da expressão dela meio entristecida quando ela conversa com as pessoas, do olhar meio cansado, do sorriso meio tímido, de como ela conseguiu vencer tanta coisa e se reinveintar por meio da escrita. Em 2008, ela fez um discurso para os formandos da Harvard sobre a importância do fracasso e o poder da imaginação na nossa vida e eu tenho que dizer: é um dos discursos mais bonitos que eu já vi. É simplesmente lindo. Eu realmente recomendo que você leia. (clique aqui para ler o discurso traduzido pela Potterish)

Eu acho essa frase, retirada da parte que ela fala sobre o fracasso, especialmente bonita. É o tipo de frase que realmente me ajuda quando eu estou com medo de errar em alguma coisa. Porque me faz lembrar que se eu não me mover, não irei para lugar algum. E se eu não for para lugar algum, eu continuarei falhando sempre. É como aquela tirinha do monge que já percorreu o facebook inteiro: sabedoria se faz com boas escolhas que se faz através da experiência adquirida com as más escolhas. É exatamente assim que é.

Nâo quero viver de forma realmente cautelosa, tendo constante medo de fazer qualquer coisa. Então o único jeito é arriscar. O pior que pode acontecer é um desastre, dependendo das proporções. Paciência. A vida é feita de desastres.


"- Eu vou amar você para sempre, aconteça o que acontecer. Até o dia em que eu morrer e depois que eu morrer, e quando encontrar meu caminho de saída da terra dos mortos, vou ficar flutuando para sempre, todos os meus átomos, até encontrar você de novo...
- E eu estarei procurando por você, Will, em todos os momentos, em cada um e todos os instantes. E quando voltarmos a nos encontrar, vamos nos abraçar tão apertados que nada e ninguém jamais vai nos separar. Todos os meus átomos e todos os seus átomos... Nós viveremos em passarinhos e em flores, em libélulas e em pinheiros, em nuvens e naquelas partículas de luz que você vê flutuando em raios de sol... E quando eles usarem seus átomos para fazer novas vidas, não poderão pegar um, terão que pegar dois, um de você e um de mim, pois estaremos abraçados tão apertados..."

Esse é o trecho integral que eu suprimi partes para encaixar na imagem. Eu AMO essa trilogia. Só li uma vez, mas mesmo assim: é uma trilogia que eu quero recomendar que todos leiam, porque ela é muito, MUITO amor. Fronteiras do Universo é sobre Lyra que vive num outro universo, paralelo ao nosso, sei lá, e aí ela se envolve numa história que envolve um bendito pó dourado, sequestro de crianças e disputas de ursos pela coroa de príncipe. Enfim, uma viagem. No fim, os três livros acabam abordando um monte de coisa e eu sinto vontade de chorar de tão envolvida que eu fico com os personagens.

Eu não vou explicar o contexto dessa frase porque senão vira spoiler (apesar de que fica fácil deduzir), mas só vou dizer que é simplesmente a parte mais amor no relacionamento dos dois. Porque os dois se amam, e é aquela coisa LINDA dos dois se amarem. Você simplesmente não vê amor maior ali. É aquela coisa de querer abraçar e não soltar nunca mais, de ficar junto com a pessoa pra sempre. E Lyra <3

(essa parada do átomo é porque os livros meio que tem uma filosofia ateísta por trás, e é extremamente poético. Povo acha que ateu não manja das poesias da vida, mas, cara, esses livros provam que a vida continua linda e maravilhosa mesmo sem uma entidade criadora por trás)

"E acima de tudo, há pessoas que tenho que proteger mesmo que custe a minha vida"
Essa frase (as duas, se for contar a que quotei aqui agora) é do mangá de Elfen Lied. Ela não aparece no anime, por razões de: o mangá tem um final totalmente diferente do anime, e essa frase é bem no último volume. Sem querer spoilear muito, mas a frase tem um contexto de tudo ou nada, 8 ou 80, vida ou morte. Lucy/Nyu/sei lá mais que personalidade a mulher é está numa parada muito louca, com uma galera de não sei que organização militar é em volta dela, enfim, um negócio insano.

(vale lembrar que Elfen Lied é famoso por suas mutilações e que a luta mais famosinha é a da pobre Nana perdendo seus dedinhos e depois tendo suas pernas e braços arrancados, membro por membro. O mangá é um pouquinho mais sanguinolento, e o final é particularmente nojentinho)

Essa frase, pra mim, representa a Lucy, a Nyu, as personalidades dentro da pobre criatura que matou muita gente e ainda assim você a ama de coração aberto. Tendo chifres na cabeça, ela sofreu um preconceito enorme, envolvendo bullying pesado tendo até morte de cachorrinho e traição de melhor amiga no meio, sendo considerada um monstro. Problema que ela era realmente de uma espécie diferente, com umas mãos invisíveis que servem de armas e, cara, daí a vida da guria virou um negócio capaz de fazer inveja ao Zodíaco. O negócio é que você a ama. Você a ama sendo assassina, você a ama com ela ferrando a vida de todo mundo, inclusive a do protagonista lá, você a ama sendo tudo isso e mais um pouco. E você a entende. Você entende que o pior de tudo, para ela, não foi ser usada de cobaia num laboratório, não foi ter a infância praticamente roubada pelos bullies, não foi todo o ódio que recebeu só de perceberem que ela tinha chifres. O pior era ficar sozinha. Era que ninguém a amasse. Era que mesmo as pessoas que ela amava não a amassem de volta.

Ela não se importaria de passar por tudo que passou de novo - se pudesse ser amada.
Não tem como não querer abraçar essa menina ali mesmo, gente. Não tem.


Rurouni Kenshin é o meu anime favorito.
Ele tem uma última saga chatíssima, um monte de episódio com histórias soltas e aleatórias, mas eu amo tudo, tudo mesmo. Eu gosto de todos os personagens, até do Yahiko (o guri chato). Eu gosto das músicas, dos diálogos, de toda a lição de moral por trás. O anime, pra quem não sabe, (e o mangá também) é sobre um samurai que matava as inimigas todas na guerra. Era uma época conturbada no Japão, que não tinha muita arma de fogo e tal, então fazia sentido que todo mundo usasse espadas pra se matarem. Kenshin era chamado de "Retalhador" devido ao seu estilo super peculiar que retalhava todo mundo de uma forma super ninja, só que aí, por motivos desconhecidos, ele sumiu. Assim que a guerra acabou, ele desapareceu. Dez anos depois, aparece a pobre da Kaoru tentando salvar o dojo e o estilo de espada do seu pai que é uma espada "para proteger, não para matar" e ela acaba acolhendo Kenshin em seu dojo, sem saber que ele era o Retalhador de anos atrás.

O negócio é que você acaba descobrindo sobre um samurai tentando se redimir, tentando provar que é possível viver seguindo seus princípios mesmo que todo mundo queira foder você com isso. E é Kenshin o autor dessa frase. Eu realmente não lembro em que episódio que isso rola, eu só lembro que estava acontecendo uma luta lá e Kenshin diz isso, porque o amigo quer ajudar lá e Kenshin não deixa. Que existe a luta pela vida e a luta pela honra. E a luta que tava rolando lá era pela honra. Que ninguém devia ajudar. Você pode pensar que isso é no sentido literal, envolvendo espadas e gente morrendo. Mas eu acho que dá pra aplicar na vida.

Existem aquelas batalhas que não dá pra ajudar a pessoa envolvida. Que só ela pode sair dali, sozinha, porque não é questão dela viver ou morrer. Por exemplo, eu penso numa analogia estúpida, mas não consigo pensar em coisa melhor: uma mulher que está sofrendo violência física do marido. Você pode até arrastar ela da casa dela e trazê-la para a sua. Eu, pessoalmente, acho que você deve oferecer sua casa para isso. Você pode ajudá-la a tomar banho, a chorar as mágoas, a limpar os machucados. Você ajudou ela numa luta pela própria vida, porque ela estava literalmente quase morrendo. Mas o fato de você tê-la salvo daquela situação não significa que você a libertou. Porque a única pessoa que pode libertá-la é a própria mulher. Ninguém pode fazer isso por ela. Você pode salvar a vida dela. Mas você não pode pegar a dignidade, honra e todas as coisas boas que constituem uma pessoa e devolver pra ela. Isso é algo que só ela pode fazer, por si mesma.

Existem lutas, na vida, que por mais que seus amigos se sintam incomodados e queiram realmente ajudar empunhando a espada no seu lugar... não dá. Ninguém pode fazer isso por você. Ninguém pode lutar as suas batalhas. Você não pode lutar as batalhas dos outros.

quinta-feira, 21 de março de 2013

21 de março de 1960

Massacre de Sharpeville - 21.03.1960

 53 anos atrás, vinte mil sul-africanos protestaram contra uma lei que os obrigava a ter um cartão onde estariam escritos os lugares por onde eles poderiam transitar. Obviamente uma reação contra o apartheid e toda a segregação absurda entre negros e brancos na África do Sul, e mesmo sendo um protesto pacífico, a polícia atirou, matando 69 pessoas e ferindo 186. Esse evento foi chamado de Massacre de Sharpeville, e a partir daí a UNESCO estabeleceu que o dia deveria ser lembrado, recebendo o nome de Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

Não foi o primeiro massacre da Àfrica do Sul. Não foi sequer o último.
Não foi nem mesmo o mais sangrento de todos.

Então eu não quero saber se você é branca e tem orgulho da sua cor. Eu tenho certeza que você deve amar sua família e seus ancestrais, e não tem nada de errado com isso, mas propagar aos quatro cantos sobre como você sente um imenso orgulho da sua brancura, vivendo em uma sociedade tão racista, só faz com que você seja uma pessoa estúpida. Essa semana, uma garota de doze anos foi espancada em Brasília, DF, apenas por ser negra. Até onde nos consta, estamos em 2013. Racismo até mesmo se tornou crime e, no entanto, uma garotinha ainda é espancada por outras três garotas por ser negra. Expressamente por esse motivo. E como se isso não bastasse, comentaristas por toda a internet fazem questão de

a) duvidar da palavra dela, afirmando que o mais provável é que ela tenha roubado o namorado de uma das meninas e estivesse com vergonha de falar, inventando que sofreu por racismo;
b) perguntando o que ela estava fazendo no beco e, como assim, ela errou o ônibus, por que quem erra o ônibus nesse mundo? e
c) dizer com todas as palavras que é branco e que sente orgulho da própria raça, como se alguém tivesse perguntado.

Eu não sei quem eu acho mais insensível.
 

Eu já falei muitas vezes, no twitter, aqui no blog, no Pernície, etc, etc, etc que não existe problema em ter alguma característica privilegiada. Você não tem porquê se culpar por ser uma pessoa branca, ou por ser um homem, ou ser cissexual. Você não precisa se envergonhar da sua heterossexualidade ou do fato de não ter nenhum tipo de deficiência. Mas quando você possui um desses privilégios e faz questão de dizer que tem orgulho dessa característica, especialmente em notícias do gênero, você se torna, sim, uma pessoa cretina. Não tem nada de errado em ser branco, mas tem algo muito errado em você acreditar que você ter orgulho da sua brancura é a mesma coisa que uma pessoa negra ter orgulho da sua negritude. É uma questão de contexto muito diferente. Uma pessoa branca nunca vai passar por todo o processo de culpa, vergonha, discriminação com a própria cor como uma pessoa negra. Uma pessoa branca tem sua cor e aparência validadas por todos os meios de mídia. Ela é o "default". Ela é representada nas novelas, filmes, livros, séries, propagandas e quando você contar uma história para outra pessoa sem especificar a cor dos personagens, eventualmente a pessoa imaginará que os personagens são brancos. Porque nós vivemos em uma sociedade no qual a pessoa branca é o padrão. A pessoa branca não tem um histórico de opressão, discriminação e sofrimento baseada na cor.

Talvez você seja descendente de italianos, alemães ou algo do gênero e você sinta orgulho pelos seus avós ou bisavós que sofreram diante do trabalho em condições insalubres e do fato de serem estrangeiros na nossa terra. Mas, veja bem, eles não sofreram aqui no Brasil por serem brancos. Eles sofreram por muitos motivos, mas o fato de serem brancos não era um deles. Você não pode usar isso como um argumento. Você não pode dizer que sente orgulho da alvura da sua pele por causa disso, porque a alvura da sua pele não foi o motivo que fez seus ancestrais serem duramente discriminados. Na verdade, o fato de seus ancestrais serem brancos e europeus foi um dos vários motivos do governo brasileiro prometer mundos e fundos para os europeus pobres que vieram para cá: a cor branca deles era desejada, para que o nosso país se tornasse cada vez mais branco.

Então, por favor, se você é uma pessoa branca, não diga que sente "orgulho da sua cor" como se fosse a mesma coisa que uma pessoa negra sentir orgulho da cor dela. Você não teve que aprender a aceitar que sua cor era bonita, porque toda a mídia já disse isso para você. E você pode até dizer que há pessoas que dizem o quão branquela você é e que você precisa de sol, e eu entendo que o bullying lhe causa sofrimento, mas veja só: para cada pessoa branca que sofre um doloroso bullying por não ser bronzeada o suficiente, há dez ou quinze ou cinquenta pessoas negras que são desconsideradas para empregos, que sofrem batidas policiais sem motivo, que tem a sua auto-estima reduzida por toda uma sociedade que se empenha em dizer que ela precisa alisar o cabelo, afinar o nariz e qualquer outra coisa que as façam "parecer mais brancas". Não é como uma competição de sofrimento. Não estou dizendo que seu sofrimento é menor. Para você, não é, obviamente. É uma questão de que há um bullying com você, em especial, que não tem uma estrutura perversa por trás como acontece com o racismo.

Não trate a escravidão como um motivo de piada. Não desvalorize, nem por um momento, o sofrimento dos antigos escravos. Nunca diga que "o racismo é dos próprios negros", tentando se livrar da própria responsabilidade. Não incentive, nem amenize o horror do trote que estudantes de Direito na UFMG fizeram, pintando uma caloura de preto e a encoleirando como uma escrava, e o veterano segurando a corrente como um feliz dono de escravos. Não diga que seu trabalho parece uma senzala, a menos que pareça mesmo. Eu sei que é muito cômico dramatizar a sua situação comparando-a ao trabalho dos escravos nos engenhos no Brasil, mas acredite: não é algo que você gostaria de comparar realmente. Pense nos mais de onze milhões de africanos forçados a saírem de suas terras natais para trabalharem em países estranhos, tratados como escravos, em condições completamente insalubres. Pense na escravidão como o Holocausto: uma experiência de tamanho horror e crueldade que incomoda as pessoas só de pensarem que ela existiu por anos, sendo aceita e tolerada por todos. Por que foi assim.

Foi exatamente assim.

Cicatrizes em um escravo

terça-feira, 19 de março de 2013

Fotografia: Larissa Dare

Hi ♥

Eu não sou muito de comentar sobre ~trabalhos~ de pessoas que eu ache legais, porque não tenho cacife pra falar de fotografia e afins, but é meio chato favoritar as coisas e não compartilhar com ninguém. Então eu decidi tentar, ao menos, mostrar fotografias e artistas que eu realmente ache legal e/ou interessante.

Larissa Dare é fotógrafa, 20 anos e mora em SP. Eu a conheci (digamos assim) no ask.fm e seguia pelas perguntas super bizarras que seus seguidores fazem (sério. É um nível completamente alienígena de intimidade entre uma galera que nunca nem viu Larissa a tratando como a vizinha da casa do lado, perguntando se tem açúcar e aí senta no sofá da sala falando da vida, sabe?). Mas Larissa é mais do que as perguntas e respostas sobre sua vida pessoal, ela também é muito talentosa no que faz <33
Auto-retrato (eu pessoalmente prefiro essa por causa do sorriso, mas era em "vertical" e queria uma foto "horizontal" [isso fez sentido???], então deixa)
Talvez eu goste muito do trabalho dela porque eu gosto muito de nu e fotografias em preto e branco, e é o tipo de coisa que eu pretendo me aprofundar no futuro, então as fotos dela me servem de inspiração. Ela costuma guardar os projetos que faz no site dela (larissadare.carbonmade.com) e, de todos, o que eu mais gosto é o "Faces" no qual tem diversos retratos de pessoas absolutamente comuns que atravessaram o caminho da fotógrafa e toparam serem modelos por alguns minutos. Eu acho que é o, tipo, o projeto mais legal porque as pessoas retratadas tem uma expressividade enorme apenas em seu olhar, e é isso que quer dizer quando as pessoas falam que fotografia tem que ter alma. E isso é uma característica recorrente no trabalho como um todo: há muita alma, principalmente no olhar. Outro projeto que eu gosto é o Submerge, que eu não sei quem é a modelo retratada (a resposta deve estar em algum lugar da ask dela, mas, cara, é MUITA ask, sem condição de eu lembrar quem é quem), e o "Forma e observador: passagem, consequência e catarse do tempo" que é o tipo de projeto que você olha para a composição das fotografias e entende o significado, mas não sabe explicar muito bem. E esse projeto é, tipo, um trabalho do primeiro ano da faculdade que ela fez, ou seja, nem sequer é todo o potencial que ela ainda pode apresentar.

E eu não sei como são as fotos dela de eventos e tal, mas se um dia eu me casasse ou algo do gênero, e tivesse dinheiro, eu totalmente contrataria ela para fotografar os preparativos e a festa do casamento em si. Para sentirem o quanto eu adoro o trabalho dela!

(e ela tá começando um novo projeto, Sinestesia, sobre casais. Apenax no aguardo, porque né)

do projeto "Forma e observador: passagem, consequência e catarse do tempo"


do projeto "Blossom on the Tree"
do projeto "Submerge"
do projeto "Faces"
do projeto "Faces"
estava em "Random Projects"
primeira foto do projeto "Sinestesia"

segunda-feira, 18 de março de 2013

Semana 3 - Coisas pra se fazer no calor:

Na realidade, eu odeio o calor. Se eu morasse em uma bonita cidade litorânea onde eu fosse à praia todos os dias, após as aulas, eu não odiaria tanto assim, mas eu moro numa cidade que era famosa por ser friozinho, uma temperatura agradável envolvendo cachecóis e botas e céus nublados. Mas é tudo mentira. Por muitos meses, essa cidade se torna um forno ambulante e eu apenas estou muito feliz que não preciso mais pegar ônibus ao meio-dia pra voltar pra casa <3

Vocês que precisam sair de casa entre dez horas da manhã e quatro horas da tarde sem ser num carro fresquinho com ar-condicionado: meus pêsames!

#1. Piscina

Há poucos clubes nessa cidade e todos exigem carteirinha de sócio. O clube mais acessível, que eu simplesmente nunca fiz carteirinha alguma por motivos de preguiça profunda, exige que eu vá até o fim do mundo para mergulhar em sua piscina tão fresquinha. De modo que piscina é algo muito ausente da minha vida. Um dos meus projetos pros anos futuros é ir mais em piscinas e tudo o mais, talvez até mesmo fazer natação que fiz por muitos poucos meses na minha vida e eu gostava muito. <3

#2. Tomar sorvete

Ou picolé.
Ou um refrigerante muito, muito gelado.

Mas eu aconselho apenas tomar sorvete em lugares mais frescos, com alguma sombra. Porque à medida que eu adoro tomar coisas geladas no calor, eu odeio quando o picolé derrete e vira tudo uma grande meleca ainda mais pegajosa devido ao calor :(

#3. Tirar os tênis depois que chega da escola

E pisar com os pés descalços no chão gelado.

#4. Dormir

Meu hábito por anos e anos, quando eu chegava em casa. Quando fica muito quente, eu não sou nada produtiva. Me sinto muito enjoada e tonta, então eu simplesmente deitava na cama e dormia a tarde toda.

melhor.coisa.do.mundo <3

#5. Dormir de novo.

(porque se é a melhor coisa do mundo, tem que aparecer duas vezes na lista)

Mentira, é porque não consegui lembrar de mais coisas. O calor é uma desgraça. Não se faz nada de útil no calor, a menos que você tenha uma piscina em casa, mil potes de sorvete na geladeira e não precise sair de casa para nada.

hipster feeling 2006? (Praia do Tororão, em algum lugar perto de Prado - BA)

sábado, 16 de março de 2013

Sobre pessoas que odeiam BBB apenas por odiar

porque só brasileiros gostam de reality show ok
Hi, pessoas lindas! <3
Um amigo meu me passou esse vídeo do cara criticando BBB para aquele cara que fica perguntando pros transeuntes se eles acham que Fulaninha vai se dar bem ou não no programa. Por motivos ainda desconhecidos para a minha pessoa, o cara foi super elogiado, tido como um corajoso defensor da moralidade brasileira. Então.

Eu não costumo ter muita paciência com pessoas que se consideram bastiões da intelectualidade, moralidade e ética. Pessoas que passam seu tempo comentando cada notícia que aparece, concluindo E O SARNEY LÁ, HEIN??? ou dando um jeito de enfiar Lula ou PT em qualquer assunto completamente aleatório. Pessoas que defendem a Família com papai, mamãe e filhos e consideram qualquer modelo diferente como uma ameaça suprema que deve ser combatida ferozmente. Pessoas que consideram que o Big Brother Brasil é um indicador válido o suficiente para afirmar, com toda a segurança, de que a sociedade brasileira é desviada moralmente falando. Que Big Brother Brasil é o sinal absoluto de como o Brasil não tem jeito.

Veja bem: eu não estou dizendo que Big Brother Brasil é ótimo. Não é isso. Estou apenas criticando o que está vindo junto com esse pacote de "bora criticar BBB e dizer que é um lixo": a mania de cês se acharem os moderninhos de uma espécie superior nesse país. Os argumentos apresentados no vídeo são risíveis. Por quê? Vejamos:

O primeiro de todos é afirmar que o único programa que presta é o Jornal Nacional. Qualquer pessoa que conheça um mínimo da história da Rede Globo sabe perfeitamente o quão manipuladora a emissora é. Todo mundo sabe que a Globo sempre mandou nas paradas, e o Jornal Nacional nunca foi exceção. Muito pelo contrário: esse programa que o cara validou como a única coisa que presta é justamente um dos mais usados pela emissora para divulgar seu modo de pensar, editar debates políticos de forma tendenciosa, manipular descaradamente notícias e ignorar solenemente manifestações importantes. Não tem nada mais estúpido do que você fazer de pessoa alheia às manipulações da perversa emissora Rede Globo e dizer que você assiste justamente ao jornal mais tendencioso ever.

O segundo erro é assumir que a sociedade brasileira está assim porque aceitamos programas do gênero. Há duas coisas que eu gostaria de observar a respeito: a primeira delas é que as pessoas sempre dizem que "estamos assim" e nunca esclarecem o que é. Do jeito que falam, parecem que a sociedade brasileira é constituída basicamente por zumbis pelados transando no meio da rua. Eu acho, só acho que a gente não chegou a esse nível. O negócio é que, sim, nós temos diversos problemas relacionados ao nosso contexto histórico e social, e isso não quer dizer que sejamos a pior sociedade do universo. A segunda coisa é que esse tipo de programa não é indicador de nada. Reality show é uma modalidade de programa popular em qualquer lugar do mundo. A galera curte ver a vida das outras pessoas. Uma boa parte das pessoas meio que tem esse lado voyeur e tem reality show de tudo que é tipo. Além disso, o BBB foi importado da Holanda, um país com lindos índices sociais, e ninguém fala nada da Holanda.

(e vocês acham que os nossos vencedores são ruins? O vencedor do Big Brother americano de 2008 usou a grana pra montar uma rede de tráfico de drogas risos eternos)
 
O terceiro erro é considerar que o repórter tinha a obrigação de te ouvir, cara. Ele recebe um salário pra ouvir quem tá sendo bem cotado na boca do povo, não pra ouvir o monólogo entediante de um cara que acha mesmo que Jornal Nacional é a única coisa que presta na Globo. Então é óbvio que ele disse para você mudar de canal e cuidar da tua vida. Isso não é censura. Você tem todo o direito de expor sua opinião, e o rapazinho ali a serviço da Globo tem todo o direito de dizer a você que troque de canal e ir falar com outra pessoa. Você tem todo o direito de usar o Youtube para dizer o que você quiser, contanto que não cometa nenhum crime de apologia ou racismo. Censura seria se as pessoas te impedissem de dizer o que pensa. Você não foi. O cara apenas não quis te ouvir.

O quarto erro é dizer que o programa vai destruir a sua família. Cara, eu só tenho a achar uma coisa nesses casos:

se um programa de TV que rola durante 3 meses é capaz de destruir tua família, que família de merda que tu tem, hein?

É óbvio que a TV, assim como filmes, livros e HQs, é uma referência que as pessoas tem para se guiar na sociedade em que vive. Por isso que a gente fica brigando para que tenha mais negros e casais gays sendo representados de forma positiva nas novelas. É óbvio que uma família criada assistindo a Globo desde sempre vai acabar desenvolvendo conceitos muitos diferentes do que uma família que tem milhares de outras referências. E a Globo, ao todo, é uma referência bem nociva, considerando todo o seu histórico. É óbvio que a emissora, assim como qualquer outra empresa que se dedique à produzir material de cultura/entretenimento, deve ser analisada e questionada. Ainda mais uma emissora tão importante com uma influência enorme, como a Globo.

Mas, cara, botar a culpa na destruição da sua família e no fato do seu filho curtir umas pornografias no BBB não é exatamente uma atitude sensata. A conclusão que chegamos aqui é que, sim, a Globo tem muitos problemas. O BBB, em si, não é um problema. O que as pessoas fazem com ele é um problema. O fato de termos presenciado um estupro que foi abafado pela Globo, o fato de ter tido um homofóbico escroto como vencedor do BBB 2010, tudo isso, sim, são indicadores de problemas seríssimos na nossa sociedade. Mas o reality show, sozinho, apenas sendo reality show é apenas um programa de entretenimento puro. Pode não acrescentar em nada nas nossas vidas, mas tudo precisa acrescentar algo? É necessário que a gente sempre faça algo inteligente e sagaz? Todos tem suas válvulas de escape, todos gostam de alguma coisa que seja fútil, e não tem nada de errado nisso. A gente vê gifs de gatinhos que nos deixam felizes, memes absolutamente inúteis, jogos de futebol, e nada disso vai fazer da gente pessoas mais inteligentes, espertas ou mesmo preparadas para viver com o mundo. Mas ainda assim fazemos, porque nos ocupa, deixa o dia mais leve. Não é errado.

Por último, eu não acho que o cara está errado por odiar BBB. Ninguém tem obrigação de gostar de programa algum, bem como ninguém tem obrigação de odiar. Eu acho que criticar uma emissora de TV é muito pertinente, e todos deveriam fazer isso mesmo. Acho críticas e questionamentos super importantes. Eu acho que o cara está errado pelos motivos que ele apresentou para afirmar que BBB é um programa de baixo nível intelectual. Resumidamente: ele não conhece nada da programação da Globo, considera Jornal Nacional como "algo que preste" (o que significa que ele também não faz idéia da história que a emissora tem de manipular descaradamente notícias de cunho político, inclusive influenciando a opinião dos eleitores sobre determinados políticos), ficou irritado porque o repórter não quis continuar a dar bola pra ele e afirmou claramente que o programa destrói famílias usando pornografia e traição de exemplos, o que soou super vago e inconsistente, porque todo mundo fala a mesma coisa e ninguém nunca explica direito. Apenas repetem a mesma ladainha.

E último ponto de todos: as pessoas consideram que ele foi muito corajoso em falar isso. Eu fico muito feliz em lembrar que a gente não está em uma ditadura, que podemos nos expressar livremente (livremente demais, se eu for pensar em Gentili e Feliciano e Bolsonaro e afins) e ninguém nos prenderá por isso. Nós temos uma lei linda que nos garante a liberdade de expressão. E, mais ainda, milhares de pessoas odeiam, detestam e criticam o BBB. Que eu saiba, nenhuma delas foi fuzilada em praça pública por manifestar seu contentamento. Então, não considerem o cara o auge da coragem e moralidade brasileira. Ele só expressou a opinião de metade do meu facebook. Grande merda. Apenas.


quinta-feira, 14 de março de 2013

sendo uma cissexual no transfeminismo

frase sábia do dia. assimilem-a como um mantra ok

Eu já falei sobre o que ser uma cissexual e de como devemos reconhecer os nossos privilégios cis aqui, no Pernície, e já falei sobre como eu me recuso a ter um tipo de feminismo que não tente ser inclusivo aqui. Mas nunca adianta: você tem que repetir a mesma história. Você tem que reforçar a sua mensagem.

Eu espero que você já esteja aqui sabendo do que é ser uma pessoa cis. Se você não sabe, leia meu post de Pernície. Ou acesse o blog do Transfeminismo aí do lado. Eu espero que você esteja aqui já ciente de que existe uma divisão entre as categorias "cis" e "trans" na sociedade e que existe mil e uma tretas dentro do próprio feminismo, por conta disso. A história é o de sempre: opressores oprimindo oprimidos. Mas aqui rola um negócio que eu, pessoalmente, acho degradante para o próprio movimento: minoria oprimindo outra minoria. Porra. Botem a mão na consciência e reflitam sobre a merda que vocês estão fazendo. Vocês estão fazendo mais do que se negarem a reconhecer seus privilégios, mas estão sendo deliberadamente e propositalmente transfóbicos.

Eu, como uma mulher cis que vive nessa sociedade há dezenove aninhos (♥), tendo a achar isso super bizarro. E super escroto. Por razões de:

a) Há um xingamento que as pessoas trans* utilizam, chamado "cis scum". Significa basicamente "escória cis". É tipo um... "porco chauvinista" (um xingamento das mulheres direcionado para homens). O negócio é que assim como nem todos os homens são porcos chauvinistas, nem todos os cis são "cis scum". Mas eu vejo uma galera cis que tá me constrangendo pra caramba dizendo aos quatro cantos que são chamados de "cis scum" ~~~apenas~~~ por serem cis. AMOR, SE VOCÊ JÁ FOI CHAMADA DE CIS SCUM, É PORQUE TU FOI TRANSFÓBICA PRA CARALHO. Pronto. Conviva com isso. Não faça a vítima.
 
créditos na imagem.
b) Eu d e t e s t o um padrão de comportamento muito mais comum do que eu gostaria: se vitimizar. É uma tática recorrente. Todo mundo usa. Seja nos relacionamentos pessoais, seja nos movimentos sociais, ela é usada o tempo todo. Sabe quando você briga com a sua irmãzinha mais nova porque ela mexeu nos seus livros sem sua permissão e aí ela faz aquela cara de choro e começa a dizer o quão ruim você é, a maltratando? Sendo que ela sabe que não pode mexer na droga dos seus livros? Aí vem mamãe e papai defenderem ela porque, poxa, você é muito ruim de não ter deixado a sua irmãzinha mexer nos livros sem você deixar!!!! Bem, aumente isso muitas vezes. Já que estou escrevendo isso para a galera feminista cis, imaginem uma cena no qual os homens fazem alguma merda e vocês chamam atenção, e então os homens começam a reclamar sobre como eles são tão bons e gentis e caridosos, e como só querem abrir a porta do carro e levar flores, mas as mulheres não reconhecem isso? E então nós temos que aturar os homens se vitimizando, declarando a si mesmo como as maiores vítimas do malvado e perverso feminismo? Cara, dá pra seguir a lista com um milhão de coisas. Gente choramingando porque não se pode mais falar que gays são nojentos sem levar patada. Gente choramingando que agora não tem mais uma empregada doméstica pra explorar.

E................

... gente se fazendo de vítima, se denominando "pobre cis lixo" como se fossem as reais vítimas da história. Cara, eu fico com uma puta vergonha alheia de ver uma galera toda se vitimizando, querendo dizer que "já sofri bullying ameaça tem print screen!!!!". Ser criticada não é sofrer bullying. Bullying é uma coisa seríssima. Se você fez merda, se você ofendeu uma minoria inteira, o mínimo que você vai ser é ser rechaçada por todo mundo. E você mereceu isso, então cale a boca antes de falar que é bullying e tirar o poder de uma palavra com tanto peso.

c) Uma das grandes coisas que existe no mundo e que eu acho que todos devem praticar muito, tipo MUITO, é humildade. Humildade não significa você se achar uma pessoinha insignificante. Humildade significa você saber calar a boca e ouvir. Não há pior coisa do que todo mundo tentando adivinhar como você se sente e como você deveria se sentir. Tem uma pá de homem dizendo pra mim e pra outras feministas como nós deveríamos agir e quais deveriam ser as nossas prioridades. Há uma galera que é branca que acha que tem o direito de dizer se a pessoa negra deve se sentir ofendida ou não diante de cada notícia. Ou ainda pior, sempre vem com um "AH MAS ME CHAMAM DE BRANQUELO SOFRO RACISMO TB". Amor, se é pra falar merda, cale a boca. Ninguém te perguntou nada. Se você faz parte de uma classe que, por acaso, oprime outra, você tem que ter mais humildade. Tem que ter consciência de que rola uma opressão aí e se você diz que você está certo e silencia os outros, cara, você está colaborando com essa opressão.

Você não pode dizer a ninguém como ela deve sofrer. Você não tem o direito de definir pauta nenhuma dos movimentos dos outros. E se você faz parte de uma classe opressora (é branco, homem, hetero, cis, etc), você tem todo o direito e o dever, inclusive, de apoiar e entender e lutar a favor, sim, mas não tem o direito de se apropriar de um discurso da minoria. Eu, como uma cis, não tenho o direito de falar pela galera trans*. Eu posso apoiar, entender, ouvir e colaborar para que a transfobia diminua. Eu posso divulgar as pautas principais. Mas somente xs trans* e APENAS xs trans* podem falar por si. Se eu falo uma merda e xs trans* dizem que foi uma merda transfóbica, eu tenho que entender isso. Não sou eu que estou sendo criticada, alvejada, ameaçada todos os dias por ser trans*. Sabe, as pessoas trans* já tem uma carga muito pesada de preconceitos e discriminações para uma pessoa que se diz feminista ainda se negar a validá-las até mesmo como gente.
 
Sobre como os "aliados" nunca devem se comportar. Fonte: legalizetrans

d) O maior problema que as feministas cis estão encontrando é de perceberem que "mulher" não é a única coisa que as definem. Ser mulher não é tudo que somos. Nós somos todos uma soma de fatores como a nossa identidade de gênero, classe social, orientação sexual, religião, deficiências (desde uma singela miopia até uma paralisia física), cor de pele, etnia, lugar em que nasceu, lugar em que viveu. Tudo faz diferença na forma como nos portamos e vemos o mundo. Quando uma pessoa lhe diz que você é privilegiada por cis, ela não está dizendo que você é privilegiada por ser "mulher" e sim por ser cissexual. Isso quer dizer que a sua identidade de gênero não precisa da validação de ninguém. Não resuma a situação dizendo que "nope, não sou privilegiada por ter uma vagina!!!". Ninguém está falando que você tem o privilégio de ser uma mulher. O que as pessoas estão falando é que o seu privilégio é de ser cis. Só isso.

Uma coisa tão boba e faz toda a diferença do mundo.

e) Conclusão final: eu queria ser muito mais ponderada e racional e desenhar bonitinho para as feministas cis entenderem direitinho o argumento. Eu, como uma cis, consigo ter uma paciência profunda que trans* não tem, e não tem obrigação de terem. Até porque eu, sendo mulher, não tenho obrigação nenhuma de ter que ser um amor de pessoa com os caras chatos que acham um absurdo eu me sentir ofendida pelos machismos imbecis. Mas eu meio que não consigo, porque eu acho isso tão simples. Uma coisa tão fundamental que se chama Direitos Humanos, uma coisa tão bonita chamada bom senso, essas paradas meio malucas aí que faz com que a gente possa conversar de boa, sabe? E eu posso nem perceber a transfobia, sendo cis, mas eu acho abominável se omitir quando tá rolando um preconceito seríssimo, e acho horroroso e cafona se fazer de vítima. Sério, gente, não tem nada pior. Quando você pega justamente a transexualidade do seu oponente como um ponto para atacá-l@, você está agindo como uma criancinha da 2ª série que acha o máximo chamar sua coleguinha de "feia" e a coitada ainda chorava.

É exatamente isso que estão fazendo. Transformando uma oportunidade pra cês aprenderem muita coisa em uma estúpida guerrinha toda pessoal. Mas se vocês não aprenderam, eu aprendi. Eu aprendi muita coisa com isso. Eu aprendi que eu não quero ser como vocês. Eu não quero nunca, na minha vida, agir como vocês. Eu não quero me omitir quando vejo pessoas sendo violentas em um espaço no qual eu posso autorizar a violência acontecer ou não. Eu não quero desvalorizar ou invalidar a identidade ou história de ninguém. Eu não quero nunca agir como uma criancinha imatura reclamando no twitter que "MAMÃE ME CHAMARAM DE CI SCUM!!!!" como vocês fazem. Eu não quero nunca me vitimizar, ainda mais se foi por algo que eu mereci.

Eu aprendi esses dias que feminismo, infelizmente, nem sempre faz alguém ficar melhor. Às vezes, o feminismo só serve de desculpas para esconder preconceitos nojentos dentro de si. E isso é tão triste que eu nem sei por onde começar, que dirá concluir. Apenas... vocês me enojam.

por algum motivo, esse tumblr traduz os meus sentimentos com purpurina e pôneis!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Semana 2 - Eu nunca...

Segunda-feira, dia do meme de 52 semanas! :3

Bem, eu nunca...

#1. ..."fiquei" com mais de uma pessoa em uma noite.

Por mais que eu esteja tendo uma vida social envolvendo bares "gays" e bares "hetero" (os gays são mais divertidos, se quer saber minha opinião), eu realmente nunca tive o comportamento nem de ficar casualmente com alguém, muito menos com mais de duas pessoas. Não é nem por "princípios" ou qualquer coisa do gênero, porque não tem nada de errado em você ficar com muitas pessoas em uma única noite, mas é que eu simplesmente sou o tipo de pessoa que não se comporta assim. Sou muito travada em termos de relacionamentos, ainda mais quando eles são casuais. >.<

E então como eu não tenho o hábito de beber nas festas que vou, tendo a ser aquela pessoa que se diverte observando todos enlouquecendo ao seu redor e, no final da noite, acaba colocando os amiguinhos que beberam um pouco demais debaixo do chuveiro. E eu gosto de ser esse tipo de pessoa, porque eu acabo me sentindo útil, no fim das contas.

#2. ...tive uma festa de 15 anos.

Acreditem se quiserem, quando eu refletia sobre ter uma festa de 15 anos (na ocasião) e lembrava da tradição das 15 amigas pra valsar, eu já me perguntava onde é que eu ia arrumar tanta amiga pra vir. Uma festa dessas com um bolo todo enorme e confeitado, um vestido caríssimo pra recepção e outro mais caro ainda pro baile e ainda outro pra dançar normalmente, o aluguel do salão, os salgadinhos, as bebidas, a decoração, a coisa toda custa uma ~fortuna~ e eu sou exatamente o tipo de garota que usa o salário mínimo como parâmetro para qualquer coisa para avaliar se a coisa merece aquele preço. Uma festa que é tipo mais do que um ano inteiro de um trabalhador comum nesse país não é exatamente o meu sonho de consumo. Além disso, tinha a coisa de que você tem que valorizar os 15 anos e isso nunca rolou comigo. 15 anos era uma idade como qualquer outra.

Eu também não pedi por uma viagem. A única coisa que eu, de fato, quis e tive foi uma tatuagem que minha mãe liberou e me deu de presente de aniversário. <3

#3. ...quebrei qualquer parte do meu corpo.

Quando eu tinha uns 13/14 anos, em uma conversa casual com amigos na época, eu declarei que nunca havia quebrado o pé ou a mão, ou precisado engessar nada. E então esses amigos declararam taxativamente que eu não tive infância. Porque eles basicamente pressupõem que se você nunca quebrou nada, é porque não se movimentava e isso significava uma infância triste e solitária. Para começar, eu me movimentava sim. Eu andava de bicicleta com meus primos. Eu brincava de pega-pega na escolinha. Eu apenas tive muita sorte e eu era uma criança que odiava sentir dor, então eu não era dada a fazer coisas estúpidas e muito, muito potencialmente perigosas. Então eu nunca quebrei nada no meu corpo.

E eu era uma criança relativamente quieta. Isso quer dizer que eu passava muito tempo lendo, brincando de Barbie, desenhando e inventando mil e uma histórias. Eu ficava muito bem tendo o espaço de uma sala, dentro de uma casa, apenas para poder criar as minhas coisas. Você não tem muito como quebrar nada do seu corpo nessas coisas. E isso não significava que eu era uma criança infeliz, pelo contrário. As pessoas precisam realmente parar de achar que apenas seus conceitos de infância estão certos e entenderem que assim como adultos, nenhuma criança é igual à outra. Há crianças que amam correrem pelas ruas. Há crianças que preferem ficar no canto lerem. Isso não significa que a infância de um seja melhor ou "mais verdadeira" do que a outra. 

 #4. ...entendi toda essa fixação pelo Um Amor Para Recordar.

Muitas pessoas não sabem disso, mas há uma estranha fixação das garotas adolescentes por esse filme. Sério. Quando eu era mais nova, eu via garotas colocarem esse filme no top 5 de qualquer lista sobre os melhores filmes do universo. Não importava muito se era uma lista de filmes de comédia romântica ou filmes que fazem chorar, Um Amor Para Recordar estava lá. O pior é que eu nunca entendi. Eu vi esse filme uma vez, séculos atrás, e eu realmente o achei muito tosco e não achei que alguém fosse achar aquilo bom, quanto mais um exemplo do amor que querem viver. Então eu realmente nunca entendi todo esse amor que as garotas tem por esse filme '-'

Além disso, eu já vi uma garota compartilhando um trecho da Bíblia e pôs "Um Amor Para Recordar" nos créditos do texto. É um fato super aleatório, mas, por motivos obscuros além da minha capacidade de entender as coisas da vida, me fez ter uma espécie de implicância com o filme além da mera incompreensão do frenesi adolescente ao redor do casalzinho.

 #5. ...assisti Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodíaco.

Aparentemente, são um pré-requisito para se ter uma infância plena e feliz. Eu também nunca assisti Hamtaro, Avatar ou Caverna do Dragão.
E eu realmente não sei se isso faz de mim uma estranha, mas sinceramente não me importo. Eu estou bem com as minhas referências de infância :3

só precisei jogar infância + dragon ball pra ver essas coisas de "se vc não via, não teve infância"

sexta-feira, 8 de março de 2013

dia da mulher: um recado curto e grosso

Vou tentar passar o dia longe do Facebook/Twitter porque NÃO SOU OBRIGADA a ver os posts escrotos de galera que acha que é super engraçado postar "Feliz Dia das Mulheres!!!!!" com fotos de vassoura e ferro de passar, ou satirizar a violência doméstica que mata gente pra caralho ou mandando a gente ficar na cozinha. Cês tem que ser escrotos demais pra fazerem esse tipo de coisa, porque, sabe, a gente tá MORRENDO enquanto vocês acham que a nossa subjugação e violência é brincadeira.

Para o meu bem-estar, vou TENTAR (e tentar não significa conseguir) ficar longe dessas pessoas que tornam hoje, um dia que deveria ser tão político e bem-lembrado, um dia para me deixar triste com a humanidade. Eu não tenho condições psicológicas nenhuma de aguentar esse tipo de coisa. Eu realmente não tenho. Eu estou cansada demais de vocês.

Então, apenas isso. Obrigada pela atenção :3

(o post é curtinho mesmo. Eu não faria um post especial de qualquer jeito, porque eu sempre estou falando de feminismo e de mulheres e tudo o mais, então todos os dias são Dia da Mulher para mim.)

(se você é um cara e quer, de fato, dar um Feliz Dia da Mulher para sua esposa ou sua mãe ou qualquer pessoa... parabenize-a pelo que ela é. Não pela capacidade procriadora dela, ou porque ela é "terna e sensível e delicada" como todas as mulheres. Parabenize-a por ainda não ter se matado nesse mundo machista que vivemos, porque só isso já a faz uma sobrevivente. E faça isso todos os dias, não apenas hoje)

(que hoje as mulheres consigam ter um dia feliz. as mulheres cis. as mulheres trans também, obviamente. todas vocês! <3)

MELHOR PRESENTE DE TODOS OS TEMPOS BJ (from fracktail)

quarta-feira, 6 de março de 2013

às vezes desistir é uma opção

Há algum tempo atrás, eu li 3096 Dias, que conta a história real de Natascha Kampusch, austríaca sequestrada aos dez anos e conseguiu fugir aos oito. O livro me impressionou não pelas circunstâncias do sequestro e sobre como uma pessoa pode ser tão cruel, mas pela maneira como Natascha era franca e muito honesta sobre a ligação psicológica que existiu entre ela e o seu sequestrador. Mesmo ele tendo cometido um crime, mesmo ele tendo a agredido psicologicamente e fisicamente, mesmo ele tendo chegado ao ponto de tentar sufocar a sua identidade, ainda assim ela estabeleceu uma relação com ele no qual ele não o odiava. Porque o ódio a mataria. Então ela o perdoou. A cada agressão, ela o perdoava. Por mais ferida e machucada que estivesse, ela o perdoava. Era uma estratégia para a própria sobrevivência, não porque ela fosse uma boa samaritana. Porém ela teve ocasiões de fugir diversas vezes. E não fugiu.

O motivo era simples, mas difícil de entender: a certa altura, o seu cativeiro não era mais físico, e sim psicológico.

Eu acho interessante quando ela fala sobre isso no livro, porque me faz ver que ela não é exceção. Muito pelo contrário: nós costumamos pensar que somos livres, mas existem dentro de nós certos monstros e correntes que nos prendem muito mais do que supomos. E então perdoamos constantemente a quem nos agride, nos culpando eventualmente, lembrando que são nossos pais e amigos, nossos namorados e conhecidos. E a pior parte é que nós damos essa permissão para que essas pessoas sejam como o sequestrador de Natascha. Nós temos esse vínculo. Nós guardamos os bons momentos, os sorrisos, as gentilezas. Toleramos os insultos. E assim esticamos os nossos limites até o máximo, enquanto der, enquanto for suportável.

Isso não é tão cruel? Que haja pessoas e pessoas e que boa parte delas tem dependência psicológica uma da outra tão forte que mal conseguem se libertar? Que haja pessoas que saibam disso e apenas querem manter o controle? Que haja pessoas que reconhecem esse controle, mas resolvam se submeter ainda assim porque se sente culpado demais para se livrar disso? Que toda essa merda acontece todos os dias, perto demais de nós para que possamos fingir ignorar? E então você tenta não ignorar. Você, acreditando que é apenas uma questão de ajuda, tenta realmente dar a sua visão como alguém de fora. Desista. Não adianta. Toda a sua lógica vai cair em ouvidos surdos. Sente e espere, e observe como as pessoas trilham a própria derrota, e nem sequer se dão conta disso. Não que você esteja certo. Claro que não. Nem sempre a situação está dividida entre extremos opostos, preto e branco, bem e mal. Há amor e há ciúmes, há ódio e há gratidão. Há dívidas a serem pagas e há mágoas nunca resolvidas. E por mais que você ame alguém, você não pode tentar salvar esse alguém, especialmente quando ele não quer ser salvo.

Você não pode lutar contra todo mundo. Às vezes as coisas estão fora do seu controle.
Às vezes esse alguém que precisa fugir por si mesmo. Como Natascha. Ela precisou de oito anos para fugir do seu sequestrador. É o tempo de uma criança brasileira aprender a ler no começo, e no final começar a fase pré-vestibular (1ª à 8ª série, na antiga grade). Então não adianta muita coisa. Às vezes você apenas precisa desistir.

Então.
Parabéns pela vitória.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Semana 1 - Coisas que me fazem ficar feliz:

Hi <3
Hoje resolvi começar o meme "52 semanas" que é basicamente um post por semana, no qual você faz um top 5 do tema proposto. Eu gosto desse tipo de meme porque você aprende a exercitar um pouco de disciplina na sua vida e porque evita longos períodos sem postar por falta de criatividade, então eu achei uma boa idéia. O tema da primeira semana é "coisas que me fazem ficar feliz". Eu achei um bom tema para se começar, porque eu gosto muito de falar sobre coisas boas e alegres. Considero que o mundo é tão triste e tão cruel que sempre é bom tentar manter as coisas boas ao seu redor e tentar espalhar mais amor por aí. Eu sei que é muito brega, bem feeling Harry Potter no qual Harry descobre que é o amor que é a sua proteção contra Voldemort, mas a verdade é que quando você é uma pessoa que tenta manter uma atmosfera de bondade, compreensão e respeito, as pessoas ao seu redor são afetadas por isso.

Mas deixando de enrolar e indo para o post, eu pensei sobre 5 coisas simples que me fazem ficar muito feliz. Coisas que parecem pequenas, mas que realmente me fazem ficar muito, muito contente e podem mudar o meu dia. E todas são coisas que podem se repetir na minha vida, seja uma vez a cada dois dias ou a cada rotação completa de Saturno, de modo que excluí tópicos como "passar no vestibular", "situações épicas" e coisas do gênero. 

perdi o link do post, mas é do tumblr yeeeap
 #1. Ver uma candid linda de Christina Aguilera

As pessoas podem não entender muito bem, porque boa parte delas não sabe o que é ser fã. Mas quem é fã (de qualquer artista) entende o meu sentimento. Quando eu estudava e trabalhava, era comum que eu chegasse em casa muito cansada e então acessar o ILoveAguilera e ver que havia uma candid dela, ou seja, fotos dela na rua, shopping, saindo de restaurante, qualquer coisa assim. Ver essas fotos, com ela sorrindo para os jornalistas, às vezes com seu filho Max, me deixa imensamente feliz. Eu amo saber que ela está bem, independente dos resultados das vendas ou das críticas que os jornais tanto fazem. Eu gosto de ver Max tão saltitante e carismático, eu gosto de ver Christina em seus mínimos detalhes.

Fico triste como mesmo fãs ficam tão preocupados se ela está gorda ou não, analisando tudo em tantos detalhes. Eu entendo que, nos tempos atuais, seja enervante ter um candid dela a cada dez alinhamentos planetários exatos e os candids não serem muito entusiasmadores com ela se escondendo no carro. Eu mesma fico muito frustrada com as notícias recentes e com os frequentes sumiços dela, mas o que eu posso fazer? Eu apenas espero pela próxima vez que ela sairá nas ruas, sorrindo, com os cabelos de alguma cor diferente e então eu sei que ela está viva e inteira <3
e eu esqueci a fonte dessa imagem socorro
#2. Ver casais dando certo

Se tem uma coisa que eu fico feliz de nunca ter sido é ter adquirido qualquer espécie de rancor por ver os outros se relacionando. Mesmo quando meu relacionamento que durou quase quatro anos acabou, eu nunca me permiti olhar para as outras pessoas e achar realmente que é um erro as pessoas se apaixonarem. Tenho a tendência de ser cínica e amarga sobre muitas coisas, mas só sobre mim. Mas quando eu vejo outras pessoas, especialmente se forem amigos meus, formando casais e estão bem naquela fase de apaixonados, eu fico muito, muito feliz.

Eu acho triste que tantas pessoas, estando solteiras, considerem insuportável ver outros casais, especialmente amigos, porque tem todo um sentimento de "por quê eles, por quê não eu" no qual a pessoa fica infeliz por estar solteira (que, na cabeça dela, é a mesma coisa que estar sozinha e deprimida). Mas eu prefiro ficar feliz por ver pessoas juntas <3

(isso não significa absolutamente que eu seja uma pessoa romântica ou algo do gênero. Eu não gosto muito de declarações públicas ou qualquer coisa que chame a atenção. Eu gosto de ver casais entrosados e bonitinhos entre eles, e é isso que me importa) 

não é bem essa a visão, mas dá pra ter uma idéia de como a cidade é. achei a foto aqui
 #3. Quando eu retorno de uma viagem para Conquista de noite e vejo os brilhos da cidade

Conquista nunca foi o meu lar. Isso é uma verdade que eu não posso negar. Mesmo que eu viva aqui desde os três anos de idade, não dá para eu dizer que essa cidade seja propriamente um lar, por motivos diversos. E toda vez que eu viajo para qualquer lugar, na maioria das vezes, eu retorno à noite. E você vê o céu lindo que essa cidade tem escurecendo, com todas as luzinhas. E é realmente lindo.

Para entender melhor, pensa que a cidade é como uma bacia. Então quando você se aproxima da cidade, na estrada, você pode vê-la toda. Com todas as suas luzes. E às vezes você pode até mesmo reconhecer os prédios. E estranhamente, é nesse momento que eu sinto que eu cheguei em casa.

um gatinho manhoso para me esperar em casa <3
 #4. Ter alguém me esperando em casa

Eu sei que é comum muitos adolescentes não entenderem bem esse ponto, porque nós vivemos com as nossas famílias e ansiamos por morarmos sozinhos. É algo compreensível e um dia eu quero viver sozinha. Mas, gente, eu passei a minha vida toda morando com, pelo menos, cinco pessoas. E então em 2010/2011 (eu não me recordo direito) eu me mudei para viver apenas com minha mãe e minha irmã. No último ano, minha irmã foi trabalhar em outra cidade e desde então eu vivo com minha mãe. Minha mãe trabalha à noite, então de vez em quando eu fico noites sozinha em casa. É algo que me acostumei.

E é algo que me fez valorizar completamente ter alguém te esperando em casa. Quando eu trabalhava e chegava seis e meia da tarde, eu gostava de ver que ela ainda estava em casa, com as luzes acesas e tudo o mais. Acredite, é um pouco depressivo estar tudo desligado e silencioso, sem alguém para lhe falar as coisas do dia. De modo que eu confesso que quando eu penso em morar sozinha, penso em ter gatos ou algo do gênero, apenas com o propósito egoísta de encher a casa com outras criaturas vivas e sentir que alguém me espera, nem que seja para dar a comida.

pra todas vocês, suas lindas (fonte: fuckyeahsubversivekawaii)
 #5. Quando alguém diz que eu a ajudei de verdade

(pronome feminino porque, até então, foram todas garotas)

Quando eu escrevia para a Descapricho, a gente recebia e-mails de garotas adolescentes. Às vezes elas desabafavam sobre os seus problemas. E eu gostava de responder às mensagens. Eu passei minha adolescência toda na internet, em fóruns de orkut, conversando com as pessoas. Eu não me importava se elas eram falsas ou não. Fazia questão absoluta de participar dos debates mais polêmicos, sobre aborto, religião, feminismo, política, etc. Enfim, gastei muito tempo construindo argumentos e conversando com pessoas.

Aí o tempo passa. E uma vez eu recebi um e-mail de uma garota me agradecendo, porque eu a ajudei. Porque eu a ajudei a se encontrar no ateísmo e feminismo, e toda uma série de coisas que me fez ficar realmente muito feliz. Ela foi uma das pouquissímas, mas eu gosto de lembrar o nome de todas as meninas que já comentaram comigo, casualmente ou não, de que eu as ajudei, nem que seja na briga. De que eu fiz alguma diferença na vida delas.

Então, todas as vezes que alguém diz que um debate na internet não muda nada, eu sempre lembro dessas garotas. Muda sim. Discordância gera conflito, e conflito pode gerar um diálogo, e diálogo pode mudar a cabeça de muita gente. Se eu tivesse ficado calada e tivesse decidido me manter feminista só para mim, eu nunca ia fazer diferença na vida de ninguém. Eu teria ficado na minha zona confortável. Mas eu não quero. Eu quero continuar fazendo alguma diferença, nem que seja mínima. E, obrigada a vocês, meninas que sabem quem são, por terem me dito isso. Obrigada por serem quem são hoje e obrigada por me darem força para melhorar a mim mesma <33

sábado, 2 de março de 2013

O seu feminismo não me representa

Caitlin Moran, autora de How To Be a Women (resenha aqui)
Esses dias rolou uma treta entre as feministas por conta de questões raciais. Não adentrando os detalhes porque eu mesma não conheço (e aqui tem o post da Malu, lindíssima, explicando melhor a participação de outras pessoas) mas focando-se na questão de Caitlin Moran que declarou que "não dá a mínima para isso" quando alguém perguntou se ela iria colocar a pauta de não haver representatividade negra na série Girls (ela estava se preparando para entrevistar Lena Dunham). Então.

Gente, sério.
Por favor.

Eu sei que o feminismo é um movimento plural. Eu compreendo que haja divisões dentro do movimento, que haja discordância de idéias e tudo o mais. Eu totalmente entendo isso. Eu entendo que a pauta das feministas americanas seja diferente da nossa, enquanto a nossa é diferente das feministas indianas. Eu entendo que as nossas prioridades podem mudar de acordo com o país que vivemos, porque tem todo um contexto, toda uma história especial por trás de cada movimento feminista nesse mundo. Não dá para lutar contra a misoginia no Brasil da mesma maneira que o fazem na Ucrânia. Contextos diferentes, feminismos diferentes. Eu entendo isso.

Mas eu me recuso a compreender e aceitar que uma feminista "não dê a mínima para questões raciais". Acho inaceitável.
Não me venham com a história triste de Caitlin usando calcinhas da mãe. Não me venham dizendo "mas ainda recomendarei o livro dela". Não me venham com essas merdas, por favor. Isso não é uma indireta, é apenas porque eu sei que Lola nunca lerá isso. Mas eu tenho certeza que milhares de outras feministas tem a mesma opinião que a de Lola. Porque eu senti um tom suavizador em cima das merdas de Caitlin e eu não tolero suavização. Porque eu sei que se fosse um homem a dizer isso ou mesmo uma mulher, digamos, republicana, sei perfeitamente que todas as feministas odiariam a pessoa forevermente. Que ela seria execrada para sempre como a "pessoa que não dá a mínima para a representatividade dos negros". Mas só porque Caitlin é uma feminista, então ela pode? Ela pode dizer essa merda e vocês passarem a mão na cabeça dela?

Vocês vão continuar recomendando o estúpido livro dela que fala claramente sobre mulheres não fizeram nada demais em toda a nossa história, demonstrando uma ignorância abissal. Sério mesmo? Estou desapontada.

O maior problema das pessoas, no geral, é nunca ver além do próprio umbigo. A galera feminista não deveria continuar perpetuando esse erro, tão típico e imbecil. Mas continua acontecendo. Porque há as feministas brancas, cissexuais, heterossexuais e classe-média e elas continuam propagando o feminismo delas, como se falasse pela voz de todas nós, como se todas nós nos enquadrássemos nessa forma e, cara, não enquadra. Não é um feminismo que pode dialogar comigo. Não é um feminismo que não pode dialogar com uma boa parte das mulheres, porque adivinha só? Elas não são todas brancas ou cis ou hetero ou classe média. E tentar suavizar a questão racial é de uma estupidez gritante. Oh, não me importo que você tenha dito "que foi errado, sim, e que ela merece as críticas". Estou pouco me lixando. O que eu digo é que alguém falou que não dá a mínima para a representação negra na TV (o que é a mesma coisa que dizer: tô pouco me fodendo pra como as negras se sentem) e as próprias feministas a defendem? É isso mesmo? Eu não quero o feminismo de vocês, então.

Se fodem aí no seu mundinho. É o que digo.

O meu feminismo fala com as mulheres negras, índigenas, asiáticas e de diversas outras etnias. O meu feminismo se importa sobre como as negras são vistas na TV, nos filmes, nos livros, nos jogos de videogame, na internet, na sociedade toda. O meu feminismo se importa que os jornalistas se recusem a aprender o nome de Quvenzhane Wallis apenas porque ela é uma criança de nove anos, negra com um nome obviamente não-americano. O meu feminismo se importa com o fato de que as mulheres negras são sexualizadas e tem uma herança de séculos pela escravidão. O meu feminismo se importa, sim, com a auto-estima delas. O meu feminismo se importa se elas são representadas em uma estúpida série de televisão. Esse é o meu feminismo. Eu não quero o feminismo de Caitlin Moran. Eu quero que ela se foda, e o livro dela também. Eu não quero ela dizendo que fala por todas as feministas, porque ela não fala. Eu não quero que a mídia a trate como uma porta-voz do nosso movimento, porque ela não é. Eu quero que ela se dane, assim como sua indiferença ao racismo. Eu não preciso dela, e tenho certeza que as moças negras e pardas também não precisam dela para se fazerem valer. Só porque a mídia dá tanto destaque para as feministas brancas-cis-bla bla bla, não quer dizer que a gente não exista.

Então, foda-se, Caitlin Moran. Você foi uma escrota. Não se atrevam a apoiar essa mulher e depois dizer que são contra o racismo. Eu não vou engolir. Não vou fingir que ela é legal, "apesar de ter sido babaca", porque eu tenho essa tendência a taxar as pessoas: você foi babaca? Nasça e tente de novo. Não vou abraçar ela e dizer sobre como eu quero ler um livro dela, quando eu detesto que o ~feminismo~ dela exclua tantas minorias. Não digam que mulheres como ela falam por mim. Não falam, simplesmente porque elas me excluem em seu patético universo classe média formado de mulheres feministas, brancas, heterossexuais que não fazem idéia de como é ser de outra minoria que não de mulher.

Eu fico muito, muito desapontada ao vê-las sendo defendidas, as declarações polêmicas sendo minimizadas, como se não fossem tão importante. Eu não gosto desse tipo de silenciamento. Então, eu, como uma garota que está muito no meio entre o "ser branca" e o "ser negra", preciso dizer que eu estou furiosa. Eu estou furiosa que feministas achem esse tipo de comportamento aceitável. Eu estou muito, muito brava porque há essas mulheres que estejam pouco se lixando para como eu me vejo na TV. E essas mulheres não são apenas qualquer umazinha que a mídia americana achou. Elas se dizem feministas. Elas se acham exemplos. Elas estão escrevendo livros sobre feminismo e todo mundo fica achando que elas estão falando por mim? É lógico que eu fico brava. Eu fico muito brava com esse tipo de atitude, porque eu sei que a mídia não vai dar atenção para a opinião de alguém que seja como eu. Eu sei que a mídia procura pelas feministas mais boazinhas e simpáticas, e não mulheres como eu. Eu sei que a mídia prefere ignorar solenemente qualquer reinvidicação das minorias, e procura o elemento mais palatável de cada luta e eu sei que Caitlin Moran parece ser uma.

Então, continuem com seu feminismo. Vocês podem dizer o que for. Digam que não se importam com as questões raciais. Vão além. Digam que só é mulher quem nasce com uma vagina. Ignorem as lésbicas. Finjam que bissexuais são pessoas em dúvida. Continuem indo. Façam seu feminismo limpo e bonito. Não é o meu. Eu não quero ignorar quem eu sou para fingir concordar com vocês. E eu não vou fingir que há minorias precisando urgentemente de atenção enquanto vocês dão entrevistas sobre como não usam salto alto. Eu não sou exatamente uma escritora influente, e sequer tenho dinheiro para ajudar as pessoas que gostaria de ajudar. O meu ativismo é de web mesmo, porque é tudo que posso fazer. Mas a internet me deu uma voz e é ela que uso para não permitir que vocês me anulem. Então é isso.

Não me façam olhar para vocês e me perguntar como vocês também são feministas. Só isso. Não me façam ter vergonha de pertencer ao mesmo movimento que vocês.

"Meu feminismo será interseccional ou será uma mentira" (fonte: fuckyeahsubversivekawaii)
[eu sei que não há "uma" na frase, coloquei por vontade própria pra frase ficar mais bonita]